“Só as casas explicam que exista uma palavra como intimidade” Ruy Belo   A casinha de palitos, desenhada a lápis de cor, um retângulo meio desarrumado, um telhado meio triangular, perdida em uma paisagem qualquer, com sol e nuvens ao fundo. Ao lado uma família de bonecos palitos, com suas cabeças redondas, acenando e sorrindo e muitas vezes maiores do que a própria casa. Essa é a descrição de quase toda memória humana sobre seus primeiros desenhos gráficos.   Se é entre quatro paredes que tornamos possíveis nossas conexões mais íntimas, nossas dores mais profundas, nossos segredos mais bem guardados e nossas memórias mais preciosas, como será possível viver sem elas?   Não estamos preparados para o relento que cada vez mais se espalha pelo mundo.   Essas casas, cidades e caminhos imaginários que surgem nessas pinturas podem ser o que foi, o que deixará de ser ou o que será. Esse grande “mapa imaginário” é um convite a pensar junto, a abrir comportas da imaginação para novas “formas de viver” possíveis em meio a tempos tão turbulentos.

Exposição realizada no Project Room – Coletivo Amarelo

Curadoria de Cristiana Tejo

Maio 2023